A Escolha Binária e a Coragem
Você escalou montanhas, passou por uma barra bem pesada e, por fim, encontrou a planície límpida de céu exuberante. Exatamente como imaginara quando decidiu sair em jornada. Mas, depois de alguns pares de dias, você se cansa e encontra logo à frente um precipício fundo e escuro. Não se sabe o que tem lá embaixo. Nem seu grito mais alto alcança aquela superfície longínqua e misteriosa, mas o vento humilde e gélido que vem lá de baixo faz arrepiar seus pêlos d´alma.
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E então? Pular ou não pular?
Você então olha para trás e contempla aquela encantadora pintura que é vossa planície. Lembra-se de tudo o que fez para chegar lá e se questiona: Por que não estou satisfeito? Por que aquele incômodo e medonho profundo me parece tão mais empolgante do que este paraíso? Mas, se eu pular, não sei se volto. E, cara, a queda deve ser grande. Se algo assim já lhe aconteceu, sorria, você está diante do medo. E não se envergonhe. O medo é uma coisa que pega os mais corajosos e os mais covardes. E ambos só se separam na hora de saltar. Mas ceder ao medo ás vezes não é necessariamente ruim. É importante saber se está à altura do desafio. Se vai conseguir se esquivar das estacas ou se você dispõe de alguma técnica na hora do impacto. |
Precisamos de coragem porque sabemos que vamos sangrar. Porque em algum ponto, alguém vai saber te espetar direito. Sabemos disso e ainda assim levantamos, insistimos. E ficamos fortes. Heróicos.
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Dizem que quando envelhecemos perdemos essa coragem. Bem, andei vendo alguns exemplos por aí e só espero ser diferente.
2008 é marcado por essa coragem. O ano em que dei um passo a mais e caí. Ou melhor, me deixei cair. Achava não estar preparado. Sentia um horror subir pela espinha só de imaginar os perigos de um precipício. Mas aí aconteceu uma coisa que um galáctico amigo insistia em me alertar. Descobri a real extensão do meu potencial. E o resto foi fácil.
O medo tem exatamente o tamanho e a importância que damos a ele e, tanto para herói, quanto para vilão de si, tudo o que você precisa é de um pouco de coragem. |
Fico feliz em reabrir essa coluna com tanta vontade e depois de tanto tempo. É como voltar pra casa e arrumar a bagunça. Espero que possamos ficar juntos durante muitas atualizações trocando idéias, experiências e afins... A cada quinzena estarei por aqui com uma novidade.
Recomendação da vez:
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Qual o peso da tradição na vida de um homem? Quando o novo deve substituir o velho? E qual o grande propósito de um legado? Minha primeira recomendação para esta coluna só podia ser Starman, de James Robinson, desenhada pelos traços leves e versáteis de Tony Harris.
Para quem gosta e é familiarizado com os personagens, este é um prato cheio e a definição exata do que é uma boa história de super-heróis. Para quem não é, a obra revela um universo muito rico com as incertezas de Jack Knight, filho rebelde de um dos maiores heróis da Era de Ouro dos quadrinhos que se vê obrigado a carregar o manto de Starman, após a morte de seu irmão mais velho e até então detentor do título. |
Você deve encontrar essa edição nos melhores sebos.
Uma curiosidade: Os vilões dessa obra recebem um tratamento de mestre com pitadas de Shakespeare e um vocábulo que nos faz lembra Arthur Conan Doyle (O pomposo criador de Sherlock Holmes) que, cá pra nós, é minha maior referência.