Quem são os super-heróis
Por
Pedro Ivo - www.ilimite-se.weblogger.com.br
Entendendo os super-heróis.
Eles são o máximo. Estão sempre preparados para o que der e vier. E são poderosos. Alguns são capazes de escalar paredes, outros são mais rápidos que uma bala e há aqueles que não têm super-poderes, mas que são inteligentes o bastante para não precisar deles. Em grupos ou solitários, esses homens e mulheres riem do perigo e salva o dia. São os super-heróis!
A questão não é se você vai topar com um deles. É quando isso vai acontecer. Independentemente de seu gosto, cedo ou tarde um super vai passar por você e te deixar sem ar. Mesmo que você jamais leia uma HQ ou vá ao cinema.
Eles estão em nosso subconsciente há muito antes de cristo. A mitologia grega está repleta de homens com asas, com super-força, mulheres-aranhas, mutantes (tome por base o minotauro, centauro, ciclope...) e por aí vai... Mas ainda assim, muito antes dos impérios surgirem, nos tempos das cavernas encontramos histórias sobre carruagens de fogo, gigantes, seres iluminados...
Os supers sempre estiveram conosco. Tanto que alguns provavelmente até se transformaram em personalidades histórias, como consta a bíblia. Todo e qualquer livro sagrado conta a história de algum super.
Mas faz pouco tempo que eles resolveram colocar máscaras e tanga. O primeiro a vestir a cueca por cima da calça foi o Fantasma, criado pelo dramaturgo Lee Falk, por volta de 1936. O mesmo também é criador do inesquecível Mandrake. Dali em diante, todos os supers decidiriam que a melhor maneira de enfrentar o mau era propagar o senso de verdade e justiça. Mais tarde, dois dos maiores ícones, Superman e Batman, assumiram o ranking dos mais populares, dando início a era de prata dos super-heróis que passariam a defender ideais políticos americano.
Mais algumas décadas depois, um cara chamado Stan Lee deu uma importante pincelada e, consequentemente, uma turbinada nas vendas de quadrinhos. Em suas maiores criações estão Spider-Man e X-Man. O que ele fez de interessante? Bom, enquanto Superman lançava seus chavões batidos contra Lex Luthor, Peter Parker se preocupava em pagar as contas enquanto um vilão qualquer aparecia bem na hora do rush. Stan diminuiu a distância entre os supers e o mundo real, dando profundidade psicologia, fraquezas morais e situações cotidianistas. Isso contribuiu para uma identificação instantânea do leitor. Ele também resolveu tratar de assuntos até então não explorados, como a miséria e o preconceito (vide X-Man). Seus personagens eram falíveis (a maioria marginalizados) e gloriosamente instáveis.
Bem, eles existem. Estão aí. Fazem mais parte de nós do que supomos. Mas aí você fala: “Eu sou uma pessoa séria. Não leio trivialidades.” – Tá certo. É verdade que existe um intenso comércio em cima dos supers e que a maioria das obras que saem são de qualidade questionável no que diz respeito a temática e enredo. Mas mencionei anteriormente que tais personagens estão em nosso subconsciente. Como é isso?
Bom, muita gente sabe o que é um arquétipo, mas mesmo quem sabe às vezes tem dificuldade de explicar. Permitam-me tentar.
Primeiro, vamos para uma definição mais simplificada.
Arquétipo vem do latim archetypu, sendo que arché significa “primitivo” e typón significa “tipo”.
É o exemplo máximo de um modelo, de um tipo de gente. Exemplo: Qual o arquétipo de uma dona de casa? Veja a Nenê de “A Grande Família”. O arquétipo de um ditador? Hitler.
Mas este é só um aspecto físico, quer dizer, externo do que é um arquétipo. Quem estuda teatro, certamente entende que os personagens da Commédia Dell’Arte, por exemplo, são essencialmente arquetípicos. Nós temos o Dotore, representante da classe alta, sovina e pançudo, e o Zanni, que é a classe de personagens baixos, como o Arlequino, que é magro, morto de fome e malandro.
Em suma, um personagem arquetípico é o representante máximo de uma idéia ou ideal.
Jung (psicólogo suíço, 1875-1961) fala dos arquétipos de uma maneira interessante. Eis um resumo que peguei de um dicionário:
“Na doutrina de Jung os arquétipos correspondem, de acordo com a teoria estóica da alma universal concebida como origem da alma individual, às imagens ancestrais e simbólicas materializadas nas lendas e mitos da humanidade e constituem o inconsciente coletivo que se revela no indivíduo através dos sonhos, delírios e algumas manifestações de arte.”
Agora, o que isso tem a ver com Batman, Homem de Ferro, Thor, Superman, Mulher- Maravilha e mais todos esses heróis de nome composto? Bem, tudo. Cada um deles representa um estado humano. Mas um estado tão profundo que precisamos de algum tempo de estudo e trabalho para enxergar.
Exemplos:
Batman foi criado como o herói da guerra fria. Um personagem sombrio para uma época sombria nos EUA. Mas hoje, depois de décadas e evolução, ele é só um homem, um psicótico obsessivo compulsivo, em busca de vingança. Ele representa um lado estranho e duvidoso do nosso senso de justiça atual.
Superman toma para si o a faixa de semi-deus. Originalmente criado para defender o estilo de vida americano, hoje o kriptoniano traça uma jornada semelhante a de Jesus Cristo. Um homem vindo dos céus para orientar a humanidade e protegê-la dela mesma, enquanto busca sentido real para sua própria vida. Afinal, o que um alienígena criado em uma fazenda pensa sobre o mundo que o adotou? NOTA: Quanto menos “super” o Superman se revela, mais interessante ele se torna.
O Homem de Ferro é um caso à parte. Um personagem geralmente não muito divulgado. Quem tiver a chance, pode consultar alguma HQ ou procurar uma nova animação que chegou há pouco nas locadoras. Ele trata da importante questão que é a relação homem/máquina. Enquanto Tony Stark (o homem que veste a armadura de ferro) cria e recria armamentos fantásticos, ele tenta lidar com o alcoolismo e sua tendência ao exagero.
A Mulher-Maravilha trás consigo um interessante paradoxo: A luta pela paz. Ela representa aquilo de mais antigo. Serve diretamente aos deuses do Olimpo e veio ao mundo dos homens como representante guerreira do matriarcado.
Bom, agora você tem um vislumbre do que é um super-herói. Ainda existem inúmeros aspectos e tópicos que são igualmente relevantes. Mas aí passaríamos pela filosofia, psicologia, economia e teologia, principalmente. Não se discute profundamente os supers sem mencionar culturas ritualísticas.
Ao contrário do que o pseudo-intelectualismo atual tem dito, esses ícones super-heróicos são de extrema importância para o entendimento de uma época. Eles se alteram a cada geração. Vinte anos atrás não tínhamos um Batmam tão sombrio e agressivo. Sem falar no lendário Wolverine, o primeiro (ou um dos) assassino dos quadrinhos a ser tão cultuado.
Bem, é basicamente isso.
Na semana que vem eu volto pra falar (menos) sobre HQ Digital. |