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Os Traços do Brasil

Por Pedro Ivo - www.ilimite-se.weblogger.com.br

Começamos a semana no “muito bem, obrigado”, com a presença ilustre de Mauricio Pestana em nossa página. Escritor, cartunista, publicitário e roteirista internacionalmente reconhecido na luta em favor dos direitos humanos.

No Brasil, temos o hábito de satirizar nossa política em charges apimentadas ou cartuns. São estruturas simples e de rápida comunicação. Quando possível, são divertidas e eficientes. Nos quadrinhos brasileiros, percebe-se uma preocupação com nossa política em histórias policiais, de terror e afins. Questões sociais são amplamente discutidas com menos adorno ou patriotismo, embora alguns títulos, a maioria fanzines, optam pelo patriotismo para promover novos heróis.

É o caso da nova revista “Os Defensores da Pátria”, distribuída pela HQ Club. Oito pessoas com poderes especiais e de diferentes Estados Brasileiros, são recrutadas pelo Governo para defender a nação verde e amarela. Vale a pena dar uma conferida. O preço é relativamente acessível (R$4,00).

O que me chamou a atenção na revista foi o formato. A capa impecavelmente colorida é um bom chamariz. No entanto, mesmo com os desenhos muito bem caracterizados e fortes, não pude encontrar um estilo. Na verdade, folheei a procura de surpresas, mas não houve. Personagens muito tensos e expansivos em muitos quadros de impacto, o que cansa um pouco. Mesmo assim, vale a pena dar uma conferida.


O Brasil precisa de super-heróis?

Algumas obras Brasileiras tentam aplicar o gênero super-herói com muito esforço. Existem dois erros que são cometidos em 99% das obras:

Primeiro: A falta de pesquisa. A maioria dos roteiristas empregam linguagens que vão muito além da nossa realidade, de forma que o leitor não se identifique de forma alguma. Não adianta usar o Cristo Redentor como cenário se a temática, o enredo e a arte estiverem em conjunto. Ou seja, se quiser contar uma história de um mutante no morro do Alemão, crie um ambiente para que isso pareça possível.

Segundo: O patriotismo. Não há nada de errado em se criar um super-herói cujo uniforme seja verde e amarelo, desde que o criador consiga nos convencer de que isso é interessante. Mas o que deve ser sempre visto e revisto é que não somos patriotas. E não que isso seja um defeito. O que acontece é que o Brasil é um país novo. O Brasileiro ainda sofre as conseqüências da miscigenação européia, oriental, índia, africana e o caramba. Somos muito mais preocupados com nosso dia-a-dia, com nossas dúvidas, medos, prédios, secas... Estamos tateando para encontrar nosso lugar no mundo. A fórmula do Capitão América ainda não cabe em nossas páginas.

Mas, afinal de contas, o Brasil precisa ou não precisa de Super-heróis?

É sempre interessante a possibilidade de se criar novas mitologias. O herói é por natureza a voz do povo. Ele representa uma necessidade. Em um super-herói isso ampliado, de maneira que ele toma atitudes ampliadas em situações igualmente ampliadas, até que se torne, por fim, o símbolo. Um povo precisa de heróis. Agora, se ele vai ser mítico ou real, não importa. O efeito é bastante similar, dadas as devidas proporções.