Ler é questão de sobrevivência
Por
Felipe Cerquize - cerquize@gmail.com

A
leitura é um hábito que se adquire
ao longo da vida. Quem lê quer ler mais
e, desta maneira, o hábito torna-se uma
necessidade. Antes de tudo, é preciso
que, durante a nossa formação,
apareçam pessoas que nos orientem para
tal. Mestres que nos exercitem, escritores que
sejam espontâneos na intenção
de divulgar um livro, grupos capazes de criar
círculos literários. É
preciso criar caminhos que despertem a curiosidade
do homem comum. É preciso que o Estado
vença a inércia que mantém
um índice de analfabetismo tão
grande em nosso país. É preciso
ter muita vontade para que haja o bem-estar
coletivo. Não podemos mais admitir que
conjunturas político-regionais criem
bolsões com ignorantes, que, por estarem
nessa condição, não fazem
a menor idéia do real motivo que os levou
à situação em que se encontram.
O atleta que faz exercícios físicos
diariamente sente vontade de fazer mais. Isto
é biologicamente explicado pelos estímulos
hormonais que ocorrem dentro do corpo. Talvez,
de maneira semelhante, aconteça a voracidade
de um leitor assíduo: quando termina
de ler um livro, quer ler outro. A cultura também
é um exercício auto-estimulado,
pois as pessoas que conseguem um certo grau
de conhecimento, naturalmente vão querer
saber mais. É uma espécie de alimentação
da alma e da mente que acaba refletindo na saúde
do próprio corpo.
Afinal de contas, qual é o diagnóstico
para toda essa carência literária
em que a maioria se encontra? Eu arriscaria
dizer que faltam estruturas planejadas para
disseminar a educação e a cultura
de forma contundente. Muitas vezes, falta também
o dinheiro para que belos projetos culturais
saiam das gavetas e sigam para as cabeças
que tanto necessitam deles. Na verdade, pela
própria desvalorização
concebida no seio de nossa sociedade, a boa
leitura é um artigo barato, com mais
oferta do que procura.
Diante de todos esses fatos, não devemos
nos acanhar. Pelo contrário, temos mais
é que colocar a boca no mundo e avisar
aos menos atentos sobre as oportunidades que
deixaram de ter quando, por preguiça
ou por falta de orientação, desprezaram
o conhecimento que uma boa leitura poderia lhes
proporcionar.
Felipe Cerquize
Carioca, Felipe Cerquize formou-se engenheiro.
Enveredou pelas artes, mais especificamente
pela música e pela literatura. Escreveu
Rhumor (livro de contos e crônicas em
1996), Contos Sinistros ( em 2005 ) e Conversa
Rimada (livro de poesias em 2007). Em 1999 gravou
o CD Léguas, voltado para a MPB. Sua
homepage é www.clubedoscompositores.com.br/felipecerquize.
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