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O MELHOR DOS DOIS MUNDOS


Por Felipe Cerquize

cerquize@gmail.com


Um dia, se fosse escrever um livro sobre os direitos conquistados pelas mulheres no século XX, faria uma análise detalhada do comportamento feminino paradoxal diante das mudanças que vêm acontecendo nas relações entre os dois sexos.

Acho que as mulheres ainda estão meio atônitas diante de tantas mudanças e, por isto, às vezes, embolam o comportamento, querendo ser tratadas como sexo frágil ao tempo em que exigem direitos iguais. Aí, se decepcionam quando o único lugar existente no ônibus é ocupado por um marmanjo que não lhe dá a vez, mas acham justo ter salário igual ao do homem para uma mesma função exercida (o que realmente é justo). Também acham razonabilíssimo que, no caso de separação, ela fique com os filhos e com um percentual do salário do marido, mas o contrário (ele ficar com os pimpolhos e parte do salário dela) é tido como inconcebível (e o homem relaxa um pouco, nesse ponto).

Isto não é nada além da realidade. De fato, ainda há uma certa confusão em relação às conquistas recentemente obtidas pelas mulheres. E, se analisarmos bem, a primeira reação é essa mesmo: querer o melhor de antes e o melhor do que se conquistou. Mas o tempo, aos pouquinhos, vai colocando cada coisa no seu lugar e, quem sabe, daqui a uns vinte anos, não tenhamos mulheres estivadoras batalhando o seu lugar ao sol de igual para igual. O dia em que não tivermos mais atividades predominantemente femininas ou masculinas, aí, sim, poderemos começar dizer que o homem e a mulher passaram a admitir a convivência sadia entre a força e a delicadeza de maneira exatamente igual para ambos os sexos.

FELIPE CERQUIZE é engenheiro químico. Com forte atuação na vida cultural do Rio de Janeiro, lançou, em 1996, o livro RHUMOR, coletânea de contos classificada pela comissão julgadora do PRÊMIO NESTLÉ DE LITERATURA no ano de seu lançamento. Em 1999, lançou o CD de MPB chamado LÉGUAS, com apresentação do compositor GUARABYRA. Em 2003, foi classificado em 1º lugar no concurso de poesias da FEUC (RJ) com a obra POEMA TRANSVERSO. Também em 2003, classificou-se em 6º lugar no festival de música popular do CLUBE DOS COMPOSITORES DO BRASIL com a música APÁTICO PACTO, selecionada entre mais de 1600 canções. Em 2005, lançou o livro CONTOS SINISTROS na XII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO, com prefácios de TIBÉRIO GASPAR e de REGINALDO BESSA. Em 2007, foi classificado em 1º lugar no concurso BALADA DO IMPOSTOR, promovido pelo poeta GERALDO CARNEIRO, com um texto sobre a morte de PAUL MCCARTNEY. Ainda em 2007, lançou o livro de poesias CONVERSA RIMADA, em parceria com a cantora, compositora e poetisa LUHLI, livro este que premiado pela UNIÃO BRASILEIRA DOS ESCRITORES, em 2008.

Felipe Cerquize
cerquize@gmail.com

 


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