Super-heróis e o Mundo Real (parte I/
parteII)
Por
Pedro Ivo - www.pedroivo.wordpress.com

O título acima sugere uma coisa que deliberadamente não funciona. Embora alguns nerds de plantão (inclusive este que vos escreve) gastem preciosos minutos de suas vidas pensando ou discutindo coisas do tipo: “Se o Spider-man existisse, como seria?” – “E se o Superman aparecesse voando e impedisse um assalto à banco na Avenida Paulista?” – “E se começassem a aparecer mutantes?”.
Existem muitas obras que tentam responder a pergunta: “E se tivéssemos super-heróis?”. Entre elas destacam-se Watchman, de Alan Moore, e o seriado Heroes, exibido ela Universal Channel. Vale a pena dar uma olhada.
O que vou fazer aqui hoje e nas próximas semanas é pegar alguns personagens mais conhecidos, cuja familiarização é imediata, e tentar tira-los do contexto da fantasia. Para tanto, escolhi Superman, Spider-man, Batman e os X-men. Lembre-se que isso é uma tentativa. A margem de erro é assombrosa, mesmo porque, especialistas em direito criminal, psiquiatria, física e biologia poderiam fazer isso melhor.
Seguindo a ordem, chamemos nosso primeiro super-candidato:
Clark Kent, vulgo Superman.
Vindo de um planeta muito distante, Kal-El (nome dado por seu pai biológico, Joe-El) passou os primeiros anos de sua vida dentro de um foguete viajando pelo espaço. Ao cair (não aleatoriamente) na Terra, atingiu a propriedade de Martha e Jonathan Kent, em Smallville, Kansas. O casal que o adotou logo perceberiam que o já adolescente Clark tinha alguns dons diferentes. Anos mais tarde, Clark se mudou para Metrópolis, se fez jornalista e vestiu a sunga vermelha para defender o planeta ( e principalmente o país) do mal.
Essa é a história que conhecemos.
Bom, de começo ressaltemos aqui que Clark Kent é um alienígena. Por mais parecido que ele possa ser com nós, humanos, ele é um kriptoniano. Sua biologia não é idêntica a nossa. Carl Sagan dizia que a raça humana poderia estar espalhada pelo universo e não restrita ao Planeta Terra. Então, vamos tomar por base que Clark talvez fosse uma variável de nossa espécie. Mesmo assim, sabemos que as condições climáticas, radioativas e geográficas é que determinam como vamos evoluir. Por isso temos os esquimós, os negros, japoneses, brancos e etc... Kripton, por sua vez, era banhado pelo Sol vermelho. O nosso Sol é conhecido como amarelo. Aliás, a constante exposição ao nosso Sol amarelo foi o que conferiu ao Superman seus poderes. Suas células funcionam como baterias solares, armazenando uma quantidade absurda de energia.
Os kriptonianos eram seres muito, mas muito evoluídos tecnologicamente. Para terem mandado um representante de sua raça para cá, provavelmente deveriam saber que existíamos e a qual distância estávamos. Segundo Einstein, quanto maior a velocidade de um objeto, maior o peso de sua massa. Para se ter uma idéia, a galáxia mais próxima está a 2.3 milhões de ano luz daqui e a física defende que não há velocidade maior que a da luz. Entretanto, existe a teoria da dobra espacial, que permite a conversão de pontos longínquos no Universo, bem como um portal. Saiba mais sobre a teoria da relatividade e viagem interplanetária aqui.
Bem, é complicado desfragmentar a psique de um alienígena. Não sou especialista e nem vou tentar. Mas sabemos que Clark carrega consigo a herança de um povo muito mais antigo e evoluído que o nosso, e que decerto passaram por problemas como os nossos. Muito provavelmente estavam em patamares elevadíssimos no que diz respeito a educação, política e absorção de recursos. Assim sendo, nosso Superman, além dos tradicionais poderes, também teria um cérebro para lá de aguçado. Isso quer dizer que, ao invés de usar seus dons para combater criminosos, usaria seu super-intelecto para construir sistemas educacionais e centros de reabilitação mais eficazes. Talvez usasse o uniforme uma vez ou outra para impedir um desastre natural aqui ou acalmar uma revolta ali. Se assim fosse, logo teríamos seitas religiosas espalhadas pelo mundo com o emblema do “S”.
Ter sido educado por um casal de fazendeiros ajudaria muito na descoberta e construção dos valores básicos da humanidade, mas não influenciaria muito em sua formação complexa. Sendo capaz de ler uma biblioteca inteira em um ou dois dias e impulsionado pela curiosidade e amor aos terráqueos, Clark teria um olhar mais preocupado na resolução de problemas e começaria pelos países emergentes, procurando soluções para a fome e miséria, e provavelmente usaria de sua força física para irrigar terrenos, localizar lençóis d´água e transportar enormes quantidades de comida.
Preocupado com a constante perseguição do governo dos EUA, Clark optaria por manter sua identidade secreta em nome de seus pais. Sua biologia permitira passar por detectores de mentira e afins, mas o singelo par de óculos não seriam suficiente nem para ele. Perucas, enxertos, maquiagens resistentes e aulas de teatro seriam o mínimo para se começar. Essa iniciativa traria um traço esquizofrênico para Clark anos mais tarde.
Não tenho dúvidas de que Superman logo conseguiria acumular uma grande quantia em dinheiro com descobertas e inventos inovadores. Mas teríamos um homem solitário, rodeado por não-semelhantes. Uma Lois Lane jamais teria chances de alcançar seu coração alienígena.
O senso de responsabilidade para com aqueles que o acolheram e cada vez mais adorado pelo povo, faria Superman se proclamar não apenas salvador, mas também um líder mundial. Seria apoiado pelos budistas, espíritas e agnósticos, embora sua presença pudesse desagradar outras fatias mais ortodoxas da população, que não gostaria de ver seu mundo governado por um alien metido a messias. Lex Luthor seria provavelmente católico ortodoxo. Mas Clark procuraria sempre manter a paz em perspectiva e criaria meios democráticos e humanos de mantê-la em total conjunto com a humanidade.
Bom, daria para escrever um livro sobre isso, mas acho que é basicamente por aí.
Semana que vem trago a vocês o nosso amigo da vizinhança Spider-Man.
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Abraços.
Pedro Ivo.
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